Tristezas. Alegrias. Vitórias. Derrotas. Etapas que ultrapassas. Desafios que vences. Momentos em que cais, te magoas e sofres.
Felizmente há também momentos em que te superas, te levantas.
Olhas para ti e sentes que estás mais forte.
Na Via Sacra, somos convidados a um silêncio comovido, enquanto percorremos o Caminho da Cruz e onde reflectimos sobre o mistério da Paixão de Cristo.
Há uns tempos atrás eu não sabia sequer o que era a Via Sacra.
Hoje estive presente pela primeira vez e convidaram-me a ler umas palavras. Essas palavras diziam respeito ao momento em que os soldados, ao crucificarem Jesus, lhe ficam com as vestes e o deixam despido na cruz.
Não é acaso que as palavras que li sejam a expressão inequívoca da valiosa lição que trouxe do retiro que fiz em 2009 onde verdadeiramente começou a minha viagem com Ele.
A lição é: Autenticidade e as palavras são estas:
“Vendo Jesus despido, na cruz, percebemos dentro de nós uma necessidade imperativa:
Olhar sem véus para dentro de nós mesmos; despir-nos espiritualmente diante de nós, mas, ainda antes, diante de Deus e mesmo diante dos nossos irmãos na humanidade.
Despir-nos da pretensão de aparecer melhor do que somos, procurando, ao invés, ser sinceros e transparentes.”
Eu pergunto:
Consegues imaginar-te despido e humilhado diante de todos os que te rodeiam?
Estar nu mostrando a tua vulnerabilidade e as tuas fraquezas sem qualquer receio?

Foi isso que Jesus conseguiu fazer.
Durante a Via Sacra pensei na minha ‘Cruz’ e como posso carregá-la com Amor na certeza da Ressurreição.
Ressurreição significa, literalmente: Levantar, Erguer.
É isto que é a Páscoa.
Páscoa que se traduz por Passagem, Vida Nova, Renascimento.
Como me ensinou o P. Carlos em Junho de 2009: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24).
Para ter uma Vida Nova, para Renascer, é preciso aceitar que a morte é fonte de Vida.
O Caminho da Cruz não é um caminho bonito.
Um inocente é condenado à morte, é enxovalhado, humilhado, batido, despido e crucificado. Talvez por isso sejam poucas as almas que contemplam esta Paixão com verdadeiro afecto.
Eu porém, vivi a Via Sacra com leveza no coração.
O motivo é simples. Escolhi olhar este Caminho com os olhos do coração e não vi um homem inocente sofrendo na cruz.
Vi uma imensa Lição de Amor; a única Força capaz de mudar o mundo.
(22.Abril.2011)







